O paciente com TDAH tem muitos desafios a vencer,
pois não consegue se concentrar nos eventos, ler um livro, jogar xadrez,
assistir uma aula, sem que sua mente viaje para longe e mergulhe em um
redemoinho de preocupações, pensamentos, projetos e planos que, aliás, ele não
consegue concluir, justamente por estar sempre com a cabeça confusa e repleta
de tarefas incompletas. Tudo está constantemente por fazer, por acabar ou
organizar neste cérebro desatento e perdido.
Normalmente ele deseja fazer tudo
simultaneamente, sem que nada fique concluído. Tanto interiormente quanto à sua
volta impera a desorganização. Deve ficar claro que nem todas as pessoas
impulsivas e agitadas sofrem deste Transtorno. É preciso que as características
principais, como a carência de atenção e a hiperatividade, interfiram
expressivamente na vida do indivíduo, prejudicando suas atividades e seu
desempenho cotidiano. Ele deve apresentar estes sintomas em todos os ambientes
que freqüenta, não apenas em um destes espaços sociais, pois neste caso seu
comportamento poderia significar apenas que ele carece de alguns limites, seja
na escola ou em casa.
A impetuosidade deve ser dominante em sua forma de agir,
e seus atos compulsivos o suficiente para compeli-lo ao exagero em tudo que
faz, dedicando um tempo excessivo para comer, beber, jogar, trabalhar, etc.
Conseqüentemente, o paciente geralmente é impaciente, irritado, explosivo e
apresenta mudanças freqüentes de humor.
O médico alemão Heinrich Hoffman foi o primeiro
estudioso a chamar a atenção para este problema, em 1854. Desde este momento,
usaram-se nomes os mais diversos para designar esta síndrome, até se atingir a
atual nomenclatura. Como reconhecer em uma criança os sintomas mais comuns, que
realmente indicam a presença deste Transtorno? Elas tendem a cometer muitos
erros, por serem incapazes de manter a atenção e de se concentrar nos pequenos
detalhes, embora possam tornar-se extremamente concentradas quando a situação o
exige. Normalmente, porém, parecem estar sempre alheias, distantes, atraídas
por estímulos externos, e evitam envolver-se com tarefas que exijam um esforço
mental maior. Estão sempre esquecendo de realizar as atividades do dia-a-dia.
Hiperativas, não conseguem parar quietas, agitam as mãos, os pés, não ficam
sentadas muito tempo, estão continuamente se mexendo e falam demais. Até mesmo
nas brincadeiras as crianças com este Transtorno apresentam dificuldades, pois
elas se encontram todo o tempo ‘a mil’, o que gera uma incompatibilidade de
ritmo com os colegas.
O TDAH é uma alteração neurobiológica crônica,
geralmente de origem genética. Até os nossos dias este fenômeno não foi ainda
devidamente pesquisado, sendo de certa forma desconhecido, mesmo nos meios médicos.
Estes profissionais tratam, na maior parte dos casos, apenas de suas
conseqüências. Infelizmente, esta abordagem científica gera prejuízos na vida
escolar ou profissional do paciente, pois sem o devido tratamento outros
transtornos podem se somar ao TDAH, rebaixar sua auto-estima e levá-lo a se
sentir um ET entre as outras pessoas, conduzindo-o gradualmente ao
isolamento
social. Portanto, é fundamental o diagnóstico correto, por um médico
especializado, geralmente neurologista, pediatra ou psiquiatra. Alguns testes
podem auxiliar o profissional a eliminar qualquer dúvida, principalmente no
caso de pacientes adultos.
O tratamento adequado, realizado desde o início,
evita que a criança seja rotulada como o mais bagunceiro, aquele que não faz as
lições, ou ainda o vagabundo da turma. Mas o principal fator que indica a
necessidade de um acompanhamento médico é o desenvolvimento emocional e
intelectual da criança, que sem o acolhimento indispensável seria prejudicado,
o que pesa muito em uma sociedade competitiva como a nossa. Outra razão muito
importante é de caráter preventivo, pois o indivíduo afetado tem uma tendência
a usar drogas – mais freqüente nos adolescentes e adultos -, a adquirir
problemas mais sérios de humor – especialmente a depressão – ou transtornos de
conduta.
A medicação consiste no uso de um
psico-estimulante, essencialmente direcionado para o sistema nervoso central,
na adoção de um antidepressivo ou até de outras substâncias. É essencial o
acompanhamento médico na evolução do tratamento - na observação do desempenho
dos remédios utilizados -, aliado a uma psicoterapia – a participação da
família nesse processo é fundamental. Deve haver uma orientação para os familiares
e professores, para que se estabeleçam os limites necessários para a criança
com este transtorno.
Professora: Jaqueline Silva.
Dislexia é um distúrbio, que gera a dificuldade na
aprendizagem, sobretudo no que diz respeito à leitura,
soletração e escrita. A dislexia pode atrasar a alfabetização e a vida
escolar do aluno, mas é importante destacar que não se trata de um
déficit de inteligência.
A dislexia não pressupõe o insucesso como estudante ou como
profissional, pois não está relacionada a um QI (Quociente de Inteligência) abaixo da média. Ao contrário, é fato que os disléxicos apresentam QI igual ou maior que a maioria das pessoas. As causas da dislexia ainda são objeto de estudo, mas já se pode
afirmar que alguns casos têm origem genética, e que as causas podem ser
neurológicas, sobretudo no que diz respeito às conexões cerebrais.
Segundo os estudiosos, o processamento de informações no
cérebro
do disléxico acontece em uma área diferente do de uma pessoa sem
dislexia, porém, o cérebro do disléxico não difere em nada, é normal. A dislexia é a dificuldade de aprendizagem mais comum, porém não é a
única, e às vezes é acompanhada por outros distúrbios, como a
hiperatividade.
Curioso também o seguinte fato: em países com linguagem ideográfica
(como a dos chineses e japoneses), não existem pessoas com dislexia. A
explicação está no fato de, nos ideogramas as silabas (existem 71) já
estarem completas. Não há a junção entre uma vogal e uma consoante como
na nossa linguagem fonética, baseada nos sons. Porém, é claro que nesses
países existem outros tipos de dificuldades de aprendizagem. A maior dificuldade do disléxico é, portanto, diferenciar e
reconhecer as palavras com sons parecidos e diferenciar fonemas de
sílabas. Um exemplo muito utilizado é o das palavras FACA e VACA. Os
sons são muito semelhantes, por isso, ao mostrar a figura de uma VACA, é
comum a criança disléxica dizer que é uma FACA, apesar de saber que na
figura aparece uma vaca, que é o animal da onde vem o leite, que é a
“mulher” do boi, e etc. Ou seja, sabe do que se trata, mas tem a
dificuldade em usar o fonema correto.

Outras manifestações de fácil observação são as inversões (por
exemplo, cava em vez de vaca), e as rotações (por exemplo, donita em vez
de bonita).
Existem inúmeros sintomas que ajudam no diagnóstico da dislexia, o
que não significa que alguém que apresente alguns sintomas isolados seja
necessariamente um disléxico.
Importante ressaltar que o diagnóstico deve ser feito por profissionais qualificados para a
tarefa,
de preferência por uma equipe multidisciplinar, composta por um
psicólogo, um fonoaudiólogo, um psicopedagogo e um neurologista.
Em clínicas psicopedagógicas o tratamento tem o objetivo de
descobrir modos compensatórios para fazer o disléxico aprender,
normalmente fazendo uso de leituras
compartilhadas,
jogos e atividades para desenvolver a escrita. O trabalho
psicopedagógico também procura desenvolver a atenção e a habilidades de
memória.
Alcirene Mendonça
Aldenize Saldanha
Aline Rurys
Arqueanise Guimarães
Azenilda Santos
Túlio Moraes